beleza é função
um glow up digital
você já de uma olhada na página da radinho no Substack? ela passou por uma bela repaginada ou um glow up, como dizem os jovens – graças a uma identidade visual muito bela criada pela Natasha Gompers, do selo gráfico.
todo o processo de pensar na identidade visual junto com a Natasha me trouxe muita alegria. num momento em que eu tenho visto mais e mais coisas com uma estética de cuspido por IA, eu preciso admitir que me dá um certo orgulho de ir na direção contrária. levou tempo. deu trabalho. custou dinheiro. mas é assim a vida, não é?
pelo menos a vida que eu acho que vale a pena viver.
e até o radinho tá de cara nova!
aliás… o nome da newsletter e a ilustração são uma homenagem ao meu avô, o seu Zé, que gostava muito de ouvir futebol num radinho que hoje fica na minha mesa – e que teria dado risada dos absurdos da Copa do Mundo. eu fiquei imaginando o que ele diria dos americanos chamando a mãe o Trump pra reverter a expulsão do artilheiro. ou da Argentina e seus juízes de confiança. ou das propagandas de aposta pra todo lado.
mas, infelizmente, minha imaginação não alcança a habilidade que ele tinha de me surpreender. inclusive, tem uma história do Rádio Novelo Apresenta sobre como, diante de uma simples pergunta de criança, ele conseguiu me dar uma resposta que me deixou aterrorizada pelo destino de todos os avós do mundo.
além da repaginada, a radinho ganhou uma irmã – uma newsletter nova escrita por mim pra quem gosta de boas histórias e quer aprender a contá-las. quer dar uma olhada? a primeira edição tá aqui:
eu li
eu acabei ontem o livro A Parede, da Marlen Haushofer. eu descobri o livro passeando pela Livraria Travessa, em Pinheiros, que tem uma ótima curadoria. eu li as primeiras páginas e não levei o livro imediatamente, mas também nunca o esqueci. a premissa ficou comigo: um casal de amigos e a nossa narradora viajam pra uma casa nos Alpes. o casal sai pra tomar um drink na cidade e ela decide ficar, na companhia do cão de caça deles. na manhã seguinte, ela acorda e percebe que ainda está sozinha. os amigos não voltaram. e não voltarão nunca mais, porque eles e o resto do mundo agora estão presos (e mortos) atrás de uma imensa parede de vidro. o livro, então, é um relato dessa narradora que, do dia pra noite, precisa aprender a viver sem outros seres humanos no meio das montanhas. durante a leitura, todo o tempo eu pensava o que eu faria no lugar dela. a única conclusão que eu cheguei até agora é que talvez seja prudente aprender a ordenhar vacas.
uma longa reportagem da New York Times Magazine sobre as circunstâncias do suicídio do pedófilo Jeffrey Epstein. uma aula de jornalismo investigativo e escrita.
essa newsletter da Lalai Person me deu muita vontade de ler o livro O Adversário, do Emmanuel Carrère. eu li Ioga uns anos atrás e ainda penso no livro e na minha vontade de fazer um longo retiro de meditação.
eu vi
o documentário Chernobyl: Lost Tapes, na HBO, que reúne uma série de gravações feitas por documentaristas soviéticos imediatamente depois do desastre que nunca tinham sido divulgadas antes. o inglês James Jones, diretor do filme, descobriu que essas fitas existiam lendo uma nota de rodapé de um livro sobre Chernobyl e passou mais de um ano rastreando pessoas ligadas ao acidente e à filmagem pra ter acesso ao material (como ele contou nessa entrevista).
o filme O Convite, dirigido pela Olivia Wilde (tem uma ótima entrevista dela no podcast Kitchen Sisters falando sobre a trajetória dela como atriz e diretora. e eu não sabia, mas ela vem de uma família de jornalistas!). eu achei o filme muito divertido e, ao mesmo tempo, profundo.
três filmes num voo de 9 horas de volta pro Brasil: O Diabo Veste Prada 2, que eu não amei, então fiquei feliz de não ter pago um ingresso pra ver (ou, talvez, eu tenha pago o ingresso mais caro do mundo, se pensarmos no preço da passagem aérea). The AI Doc, um documentário meio estranho sobre IA. e o filme da turnê da Billie Eilish produzido pelo James Cameron, Hit Me Hard and Soft.
eu ouvi
a série The Last 12 Weeks, da Serial Productions e do New York Times. o repórter Maurice Chammah e o produtor Alvin Melathe acompanham o trabalho de um time de advogados que estão tentando salvar um cliente da pena de morte. é uma baita reportagem, mas não só. o roteiro é um xuxu e a edição de som é de bom gosto. recomendo muito. ainda nesse tema, eu ouvi um podcast que é basicamente uma colagem sonora de depoimentos de pessoas que trabalham executando prisioneiros no Texas – e um detalhe nunca mais vai sair da minha cabeça. se tiver estômago, está nesse episódio do Sound School Podcast.
o disco Time and Again, do The Heeters – uma banda californiana muito simpática que ouvi tocando numa praça de uma cidadezinha que tinha mais camisetas tie dye do que gente.
a própria Joan Didion lendo a introdução de Blue Nights – o livro em que ela conta da morte da filha dela – no podcast Bookworm. por coincidência, ouvimos no carro a caminho de Sacramento, na Califórnia, onde ela nasceu. chegando lá, comprei uma cópia numa livraria muito simpática chamada Beers Books, aberta desde 1936. foi lá também que eu comprei a autobiografia da Alice Waters, a chefe de cozinha americana responsável por capitanear o movimento farm to table – do campo à mesa, em tradução livre.


ler o capítulo “rainha do jardim” num jardim comunitário em um dia de sol não foi nada mal.
PS: na quarta-feira de manhã, quando esta edição chegar ao seu e-mail, eu estarei num avião rumo a Bogotá, na Colômbia, para participar do Festival Gabo – e da cerimônia do Prêmio Gabo. o Sala de Espera, a série que eu, Bia Guimarães e Carolina Moraes fizemos na Rádio Novelo está entre os finalistas da categoria áudio. muitos conterrâneos estarão lá também. foi a edição com mais indicados brasileiros. nos desejem sorte!
um abraço,









A nova identidade da newsletter ficou lindíssima!
E adorei as dicas de hoje :) aproveito pra endossar a leitura de "O Adversário", li em dois dias, fiquei obcecada. Comecei "Ioga" recentemente também, ainda não me pegou tanto, mas tô bem curiosa.
olha, custou dinheiro, mas ficou muito bacana a newsletter, hein! E por pouco não embarcava com você pra Colômbia. Fiz o Folha na Escola, juntamente com a Laura Mattos e a Magê Flores, e ficamos entre os 10 selecionados no Gabo. Já me considero premiada. Vê se traz o "caneco" pra gente!