notícias do descanso
e muitas dicas de filme pra chorar
eu sou uma mulher dada a sentimentos intensos, então tem muita coisa que eu detesto com força e pouca justificativa. por exemplo, gente que viaja duas semanas pra um lugar e volta pronto pra ser embaixador do destino, com uma certeza inabalável de que nada escapou de sua compreensão ao visitar os pontos turísticos com ajuda de listas da internet.
me irrita profundamente.
o que quer dizer que eu vou me irritar profundamente agora, pois eu – que me encontro há poucas semanas na terra dos sem trabalho fixo – me sinto pronta pra falar durante horas sobre a importância do descanso.
quando eu decidi que precisava parar de trabalhar no ritmo que eu estava trabalhando, lá pelo meio do ano passado, eu comecei a conversar com pessoas que tinham feito isso antes de mim. desde gente reorganizou a rotina virando freela aos mais sortudos – que tiraram um sabático.
e o que sedimentou a minha decisão foi o que um dos sortudos disse: “depois de seis meses, eu acordei um dia e percebi que minha cabeça tinha voltado a funcionar. foi a primeira vez em meses que eu acordei e me senti realmente acordado.”
e veja bem: esse rapaz tinha passado os últimos 10 anos da vida dele se formando em engenharia no MIT e fundando uma empresa de bastante sucesso. não era como se a cabeça dele não estivesse funcionando rs.
mas ele não sentia que ela tava funcionando direito e era um sentimento que eu compartilhava naquele momento.
se eu pudesse representar visualmente o meu cérebro, tava mais ou menos assim:
agora, os papéis estão voando um pouco mais devagar. alguns foram embora sozinhos, outros eu peguei no ar e joguei fora. não faz muito tempo, eu sei, mas eu já senti uma diferença considerável.
um exemplo bobo: tinha anos que eu queria reorganizar a minha lavanderia e eu simplesmente não conseguia encontrar espaço no meu HD pra pensar qual era a melhor forma de fazer isso. pois agora minha lavanderia tem prateleiras novas e na segunda-feira (se tudo der certo), chega um novo varal.
anos! e eu consegui tomar essas decisões em uma tarde de medições e desenhos de projeto com ajuda do meu namorado.
enfim, tal qual a pessoa que acabou de voltar de 5 dias em Paris e diz que não há baguette como a da esquina da rua Lilê com Champs Trelelê, eu quero te dizer que descansar é importante. e talvez eu seja uma das poucas pessoas que vá te lembrar disso, então a vergonha que eu passei tá justificada.
eu vi
o filme norueguês Valor Sentimental. a construção do roteiro é sublime (não é qualquer um que consegue começar um filme personificando uma casa sem ficar piegas) e as atuações são minimalistas e devastadoras. se você tem uma irmã, leve uma caixa de lenços da sessão. ah, e veja no cinema! todos os filmes são melhores assim, mas esse é mais. principalmente porque chorar na escuridão é mais confortável.
mais um filme que me fez chorar muito: O Amigo, disponível no Prime Video. eu tava com um pouco de receio de detestar, porque fiquei apaixonada demais pelo livro da Sigrid Nunez (recomendei aqui), mas é um bom trabalho de adaptação.
Thelma e Louise! eu nunca tinha visto esse clássico e achei divertidíssimo. além de ficar apaixonada pelos cabelos esvoaçantes da Susan Saradon e da Geena Davis. tá disponível na Mubi. descobri depois que o filme inspirou a Toni Amos a compor a música em que ela canta, sem nenhum acompanhamento instrumental, sobre um estupro que ela sofreu.
All Her Fault, da Amazon Prime. novelão! com direito a buracos de roteiro à la Vale Tudo. mas é um bom entretenimento, principalmente em dias tristes e chuvosos.
Jovens Mães, o novo filme dos irmãos Dardenne. é uma ficção com cara de documentário que retrata um abrigo para meninas pobres e que tiveram filhos cedo demais. o contraste entre o wishful thinking das adolescentes e a vida real é cortante. os Dardenne também tão por trás de um dos filmes favoritos do Wagner Moura, nosso mais novo totalmente indicado – o Rosetta.
falando nele, essa semana eu revi o Wagner Moura ao lado da Fernanda Torres no filme Saneamento Básico. foi o primeiro da nossa recém-criada Noite do Filme Brasileiro – pra ajudar meu namorado meio brasileiro a conhecer melhor o país. se tiverem sugestões de séries e filmes pras próximas, aceitamos!
eu ouvi
um disco chamado Bandwave, de uma banda com o mesmo nome, que eu descobri em uma outra newsletter. minha preferida é Landlocked.
esse episódio assustador do Medo e Delírio em Brasília sobre o que tá acontecendo nos Estados Unidos e como canais com a Fox News têm retratado a ladeira pela qual o país tá descendo em alta velocidade desde que… vocês sabem.
eu li
Uma Mente Inquieta, um relato em primeira pessoa feita pela Kay Redfield Jamison sobre a bipolaridade, uma doença que ela tem e estuda. o livro é antigo – como eu, do meio dos anos 90 – mas envelheceu bem. eu sinto que nós falamos mais de saúde mental hoje em dia, mas andamos tão melindrados com as palavras que muitas vezes nos vemos forçados a dar voltas no buraco sem nunca encará-lo de frente. ela olhou muito bem e sobreviveu pra contar o que viu.
ah! e eu estou relendo Como Escrever Bem, do William Zinsser. é um manual de escrita bem clássico, republicado recentemente pela editora Fósforo. aliás, o motivo de eu estar relendo o livro agora é porque eu estou preparando um curso de escrita para os ouvidos. se você achou a ideia interessante, coloca seu e-mail aqui nessa lista de espera, assim eu te mando informações em primeira mão. já tem mais de 100 pessoinhas lá. muito obrigada, gente ❤️
um abraço,
Natália Silva
jornalista, roteirista & escritora
nataliasilva.site | Instagram






Tbm revi Saneamento Básico esses dias, e dei largas risadas!
Como escrever bem é dos meus livros favoritos! Indico sempre e acho que serve para TODO MUNDO!!